Palavra do Presidente

Júlio Cesar

Setembro nos traz uma reflexão que considero indispensável: não existe trabalho digno quando a saúde e o bem-estar de quem trabalha são deixados em segundo plano.

Júlio Cesar
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Setembro nos traz uma reflexão que considero indispensável: não existe trabalho digno quando a saúde e o bem-estar de quem trabalha são deixados em segundo plano. O Setembro Amarelo nos chama a olhar para a saúde mental com mais atenção, mas esse cuidado não pode ficar restrito a uma campanha ou a um mês do calendário. Ele precisa fazer parte da nossa realidade durante todo o ano.


Quem trabalha sabe que a pressão, a sobrecarga, as jornadas intensas, a falta de reconhecimento e até situações de assédio podem afetar profundamente a vida de uma pessoa. Muitas vezes, o trabalhador chega ao seu limite sem que ninguém perceba. Por isso, precisamos aprender a ouvir mais, acolher mais e, principalmente, não tratar o sofrimento emocional como falta de força ou de vontade.


As empresas têm responsabilidade direta na construção de ambientes de trabalho saudáveis. Saúde mental também passa pela forma como o trabalho é organizado, pelo respeito às pessoas, pela valorização profissional e pela garantia de condições adequadas para que cada trabalhador possa exercer sua função com dignidade.


O sindicato também tem um papel importante nesse processo. Nossa atuação não se limita às negociações salariais. Estamos presentes na defesa dos direitos, na orientação dos trabalhadores e na fiscalização das condições de trabalho. Quando um trabalhador procura o sindicato, precisa encontrar uma entidade preparada para ouvir, orientar e agir.


E neste mês temos também uma questão muito importante para a nossa categoria: a negociação da data-base de refeições escolares, que acontece em agosto. Neste momento, as negociações ainda estão em andamento justamente porque não concordamos com a proposta apresentada pelo patronal. Estamos trabalhando para construir um resultado melhor e que esteja à altura das necessidades dos trabalhadores.


É importante deixar claro: o fato de a negociação ainda não ter sido concluída não significa que o trabalhador tenha perdido o direito ao reajuste. Qualquer percentual definitivo será divulgado oficialmente somente após a conclusão das negociações.


Nossa responsabilidade é negociar com seriedade, mas também com firmeza. Não queremos simplesmente encerrar uma negociação; queremos buscar um acordo que represente um avanço para quem trabalha.


Neste Setembro Amarelo, deixo uma mensagem a todos os trabalhadores: não ignorem seus sentimentos nem os sinais de quem está ao seu lado. Pedir ajuda não é fraqueza. É um ato de coragem.
E da mesma forma que defendemos os direitos da categoria nas mesas de negociação, também precisamos defender algo que vem antes de qualquer direito: a vida.